Meu filho golfa na maioria das mamadas. Será normal?

Quando o conteúdo alimentar do estômago retorna para o esôfago, de forma espontânea, caracteriza-se refluxo gastroesofágico e pode manifestar-se apenas como refluxo ou, quando o alimento é expelido pela boca, como regurgitação, conhecida como “golfo” nos bebês.

A frequência com que ocorre o fenômeno e quando causa complicações, passa a ser um problema.

O refluxo é uma condição fisiológica da criança, principalmente até o primeiro ano de vida, pois o mecanismo que contribui para que o alimento não volte para o esôfago, ainda é imaturo. A musculatura que há na extremidade distal do esôfago ainda é incompetente favorecendo o fluxo do conteúdo alimentar do estômago para o esôfago. Sendo assim, qualquer aumento da pressão intrabdominal, que pressione o estômago, como por exemplo, choro, tosse ou até mesmo o ato de evacuar ou trocar as fraldas, favorece o refluxo

Além disso a alimentação e a posição contribuem para o refluxo, haja vista que bebês se alimentam, nos primeiros meses de vida, basicamente de líquido e ficam muito tempo deitados. Conforme a criança cresce a introdução de alimentos sólidos e a posição ereta, que favorece o esvaziamento gástrico, diminui a presença do refluxo.

A ocorrência do refluxo se dá em seu pico em torno dos 4 meses de vida, quando a criança se movimenta mais, ocorrendo ao menos um episódio de regurgitação ao dia e isso diminui, naturalmente, em torno de 12 a 18 meses de vida.

Caso a criança apresente vários episódios de regurgitação ao dia, porém com ganho de peso adequado, sem comprometimento no desenvolvimento e crescimento, sono tranquilo e/ou ausência de sintomas respiratórios recorrente, o refluxo é fisiológico, isto é, normal.

Quando o refluxo deixa de ser fisiológico e passa a ser considerado patológico, ou seja, doença do refluxo gastroesofágico, o lactente, principalmente após o sexto mês de vida, apresenta as seguintes manifestações clínicas,

1- Regurgitações e vômitos;

2- Dificuldade para mamar;

3- Aumento na frequência de eructações e soluços;

4- Náuseas;

5- Choro excessivo, irritabilidade, dificuldade para dormir;

6- Déficit de ganho de peso e/ou crescimento;

7- Apneia e síndrome da quase morte súbita;

8- Rouquidão e estridor (guincho no final da inspiração);

9- Sibilância (chiado no peito).

10- O bebê se recusa a comer, ou começa a mamar e logo chora

11- Postura anormal da cabeça, chamada síndrome de Sandifer, quando o bebê se curva todo, o refluxo ocorre, sentindo muita dor.

Como amenizar o refluxo fisiológico

-Manter o bebê em posição vertical por 20 a 30 minutos após a mamada

- Evitar “chacoalhar “a criança após as mamadas

-Dormir em posição supina (barriga para cima) com elevação da cabeceira do berço 30-40 graus -Rever a técnica de amamentação, reduzindo a possibilidade de ingestão aérea excessiva -Utilização de fórmulas espessadas -Fracionamento da dieta -Evitar exposição passiva ao fumo

O pediatra é capaz de identificar o refluxo fisiológico e diferenciá-lo da doença do refluxo gastroesofágico, por isso é importante que seu filho mantenha um acompanhamento pediátrico regularmente.



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